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domingo, 26 de maio de 2013

O contraterrorismo de Barack Hussein Obama

Nesta quinta-feira (23) o presidente americano Barack Obama fez mais um de seus célebres discursos. Mesmo com a ameaça de impeachment (coisa que a mainstream media não noticia) ele pareceu calmo e falou sobre o combate ao terrorismo.

Logo no início fez questão de enfatizar que soldados americanos agiram contra o Estado de Direito quando se utilizaram da tortura para com certos prisioneiros. O interessante é que se esqueceu de falar o que os terroristas fizeram com sua própria população (seja no Iraque ou no Afeganistão) e até mesmo com soldados americanos quando estes caíram em suas mãos.

"Não houve ataques em larga escala contra os Estados Unidos e nossa pátria é mais segura". Se com ataques em larga escala ele quis dizer que não houve outro World Trade Center, acertou. Mas o número de pequenos ataques aumentou. Outro detalhe: nos primeiros quatro anos desde a tomada de posse de Obama, morreram quase três vezes mais americanos no Afeganistão do que nos oito anos da administração Bush. E a política de retirada do Iraque? Bom, quanto a esta melhor nem tocar no assunto.

"Agora, não se enganem, o nosso país ainda é ameaçado por terroristas. De Benghazi a Boston, temos sido tragicamente lembrados de que isso é verdade". Finalmente! Ele admitiu algo que preste. E digo mais: o fato de colocar Benghazi nisso tudo já é uma grande coisa, tendo em vista que a primeira atitude de sua administração foi mentir sobre o ataque terrorista à instalação diplomática que vitimou quatro americanos. Pena que não poderemos esperar nada mais do que isso. Falar sobre negligência? Jamais! Omertà.

"Hoje, o núcleo da Al-Qaeda no Afeganistão e no Paquistão está no caminho para a derrota. Seus agentes restantes gastam mais tempo pensando sobre sua segurança do que conspirando contra nós. Eles não dirigiram os ataques em Benghazi ou Boston. Eles não realizaram um ataque bem sucedido a nossa pátria desde 11 de setembro" (grifo nosso).

Creio que esta, sem dúvidas, foi uma das partes mais interessantes do discurso. Disse que o núcleo da Al-Qaeda no Afeganistão e no Paquistão estão caminhando para a derrota. Aí o senhor Obama declara que a Al-Qaeda não teve relação com os ataques em Boston ou Benghazi. É mesmo, "presidente"? Então façamos agora uma pequena recapitulação da história: o ataque em Benghazi esteve sob a responsabilidade do grupo terrorista Ansar Al-Sharía, que é filiado à Al-Qaeda.  Quanto a Boston, é provável que dificilmente saibamos mais detalhes. Aquele jovem saudita, Rahman Ali Alharbi, que inicialmente era uma "pessoa de interesse" no caso e depois foi deportado por "problemas com o visto" já foi esquecido pela grande mídia. Em seu programa diário Glenn Beck disse que teve acesso ao relatório do FBI onde constava que Alharbi deveria deixar o país por ligação ao terrorismo.

Em uma fala posterior Obama trata a respeito das ramificações da Al-Qaeda no Iraque, no Iêmen, na Somália e no Norte da África. Esta é uma questão muito delicada, pois sabemos que estes grupos estão administrativamente separados, porém ideologicamente unidos. Ou vocês acham que os membros da Al-Qaeda na Península Árabica deixaram de comemorar a morte do embaixador Stevens?

O comandante-em-chefe ainda menospreza a expressão "guerra ao terror", preferindo descrever as ações como "uma série de esforços persistentes direcionados para desmantelar as redes específicas de extremistas violentos que ameaçam a América". Mais politicamente correto impossível! Mas se ele não quer utilizar a expressão "guerra ao terror", poderia falar algo como o combate à Jihad que visa transformar o Ocidente em um grande califado. Não estou dizendo que a religião islâmica é assim, mas a interpretação ortodoxa de alguns trechos do Alcorão fazem com que seus adeptos pensem assim. Estejam eles em constante contato com terroristas no Oriente Médio ou mesmo morando nos Estados Unidos, como foi o caso dos irmãos Tsarnaev, responsáveis pelo ataque em Boston. E ai daquele que pense o contrário! A pena para um apóstata da fé islâmica não é lá muito leve...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Ninguém sabia de nada

Steven Miller e Douglas Shulman.

Há poucos dias estourou nos Estados Unidos outro escândalo envolvendo a administração Obama. Depois da negligência na Líbia e dos grampos a jornalistas da AP, o Internal Revenue Sistem (IRS), serviço de receita do Governo Federal, é a bola da vez. O IRS é acusado de submeter, desde 2010, grupos conservadores que solicitavam o benefício da isenção fiscal a intenso escrutínio, o que resultava, muitas vezes, na não legalização dos grupos.

Para quem não está acompanhando o caso, vamos por partes. Nos Estados Unidos determinadas organizações de pequeno porte podem pedir isenção fiscal caso comprovem que suas atividades estejam ligadas ao "social welfare" -- status 501 (c) (4)--, com lucro líquido dedicado exclusivamente a fins beneficentes, educacionais ou recreativos. Tais organizações podem assumir posições também em questões polêmicas que envolvam mudança na legislação ou mesmo tomar parte de algum lado político. Este último quesito, inclusive, deve ser levado em consideração na análise do IRS Scandal.

Em resumo, se uma organização é Democrata ou Republicana mas tem como seu principal escopo o "social welfare", ela pode se isentar fiscalmente passando pelo escrutínio do IRS. Mas aí é que começa a polêmica. Desde 2010 grupos conservadores vêm passando por uma exagerada e intensa sabatina -- alguns precisam revelar os nomes de familiares, locais das reuniões, temas das reuniões, etc -- que só servia, no final das contas, para negar-lhes autorização (ou nem mesmo conceder qualquer resposta). Basicamente aqueles em que constavam os termos "Tea Party" e "Patriot" foram os que mais sofreram nas mãos do IRS. Houve também relatos de perseguição a grupos pró-vida, judeus e até uma professora católica crítica do presidente Obama.

A posição inicial do "senhor e salvador" Barack Obama foi que ele ficou sabendo do ocorrido pelo noticiário. Em seu mais recente comunicado o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que o conselho da presidência soube apenas no final de abril acerca de "um relatório prévio" do caso. Carney disse que a assessora jurídica Kathryn Ruemmler teve conhecimento da auditoria no dia 24 de abril, passando a informação a Denis McDonough, chefe da equipe de Obama, que por sua vez não informou ao presidente. Nas palavras do porta-voz da Casa Branca, "este não é o tipo de coisa que exige notificação ao presidente".

O interessante disso tudo é que aprendemos que americanos morrendo em território estrangeiro sob ataque terrorista e perseguição a grupos de oposição não são o tipo de coisa para se notificar ao "presidente" dos Estados Unidos. Aliás, ele não se manifestou também sobre o caso do criminoso abortista Kermit Gosnell. Quanta inocência a deste chefe do Executivo, não?

Acreditem, meus caros, a história não para por aí. Nesta terça-feira (21), a Comissão de Finanças do Senado --que abriu uma investigação bipartidária do IRS Scandal-- ouviu Douglas Shulman, Steven Miller, ex e atual comissários do IRS, respectivamente, e J. Russell George, inspetor-geral do Departamento do Tesouro para a administração fiscal. O Senador Orrin Hatch, R-Utah, que chefia a Comissão ao lado de Max Baucus, D-Mont., não mediu palavras desde o início acusando Miller de omitir os fatos. Ele, por sua vez, disse que não mentiu.

Também visivelmente irritado estava o Senador Max Baucus. Ele perguntou a Shulman por que ninguém foi demitido já em 2011, quando a sede do IRS em Washington teve conhecimento da segmentação de grupos do Tea Party. O ex-comissário disse que "em junho de 2011, eu acredito que não estava ciente disso". Ainda mais indignado, o Senador de Montana replicou: "Você foi o comissário. Se você não sabe, parece que alguém não fez o seu trabalho direito".

Basicamente durante toda a audiência Miller e Shulman alegaram amplo desconhecimento do caso, vindo a saber das investigações apenas na primavera de 2012. Justo quando, segundo eles, tomaram conhecimento de que funcionários do IRS estavam usando palavras-chave como "Tea Party" para determinar quais grupos deveriam passar por uma "sabatina extra".

Quarta-feira (22) foi o dia de tentarem ouvir Lois Lerner, que lidera o escritório do IRS e foi a primeira a divulgar que os grupos com "Tea Party" e Patriot" eram alvos do serviço, mas ela se manteve em silêncio. A única coisa que fez foi dar uma curta declaração: "Eu não fiz nada de errado, eu não violei qualquer lei ou regra do IRS e não forneci informações falsas para esta ou qualquer outra comissão do Congresso".

Falando sobre o assunto Wayne Allyn Root, que também foi vítima do IRS, fez um questionamento: "será mesmo que o IRS que perseguiu grupos conservadores, do Tea Party, doadores do Partido Republicano, judaicos, cristãos, pró-vida e críticos sinceros do presidente (como eu), agora usará o Obamacare para nos negar assistência médica?" O Obamacare, para quem não sabe, também está nas mãos do IRS.

Post publicado em minha coluna no site da Reaçonaria

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Pior do que Watergate!

Gregory Hicks.
 Esta foi a expressão que ecoou em minha cabeça durante toda a semana passada ao ouvir os depoimentos de representantes americanos na Líbia sobre a morte do embaixador Christopher Stevens e mais três pessoas nos ataques ao consulado em Benghazi, no dia 11 de setembro de 2012. Seria uma expressão exagerada? A meu ver, não. Isso porque, nas palavras de Glenn Beck, "em Watergate ao menos nenhum americano morreu".

Os ataques tiveram seu início na noite de 11 de setembro e continuaram até a manhã do dia seguinte, com intensa pressão por parte dos jihadistas do grupo Ansar Al-Sharia, representante da Al-Qaeda na Líbia. Logo que a notícia da morte dos quatro americanos se espalhou pelo mundo a administração Obama tratou de culpar o filme The innocene of Muslims, alegando que sua divulgação causou inúmeros protestos em todos os países islâmicos e que era um abuso da liberdade de expressão.

Ao cabo de tudo, o criador do vídeo foi preso -simplesmente por se utilizar do seu direito de liberdade de expressão- e, dentre os terroristas que atacaram os consulados americanos, pouquíssimos foram identificados. Agora parem para pensar: 11 de setembro de 2012. Vocês acham mesmo que os muçulmanos estavam preocupados com este vídeo? Ademais, protestos de caráter repentino poderiam fazer tanto estrago como fizeram? Eu, particularmente, custo a acreditar nisso. Não descarto a hipótese para outras embaixadas, mas definitivamente não foi o que aconteceu em Benghazi.


Para piorar ainda mais a situação, a administração Obama foi basicamente negligente não enviando apoio militar aos americanos que estavam sob ataque mesmo sabendo das circunstâncias. Quem disse isso foi ninguém menos do que Gregory Hicks, ex-vice chefe do Departamento de Estado para a missão na Líbia. Em suas palavras, "um movimento rápido sobre aviões em Benghazi poderia muito bem ter evitado algumas coisas ruins que aconteceram naquela noite". Ele quis dizer que havia tempo para que tropas de apoio fossem enviadas à cidade líbia para salvar a vida dos americanos que estavam sofrendo um ataque terrorista orquestrado.

"Na noite em que ocorreu o incidente, eu estava em minha mesa no final do dia (em Trípoli) quando chegaram os primeiros relatos de que as instalações diplomáticas em Benghazi estavam sendo atacadas", relatou Hicks. Ele ainda continuou salientando que "mais tarde, quando eu ouvi que o embaixador Stevens estava em um lugar seguro e que não poderia ser contactado, recomendei para a Casa Branca uma equipe de apoio". Interrompo a declaração do senhor Hicks para perguntar: que lugar seguro seria este? De uma forma ou de outra, o embaixador foi assassinado.

Mas o relato chocante não para por aí. Ao sugerir a equipe de apoio para Benghazi, Hicks recebeu como resposta que esta alternativa "estava fora da mesa de operações". Como traz à baila a matéria do WND, nas primeiras horas da manhã do dia 12 de setembro, tendo em vista que o ataque ainda continuava, Hicks ficou frustrado pela negação de um pedido urgente para despachar tropas de Operações Especiais de Trípoli a Benghazi para ajudar na evacuação segura dos americanos.

"Que diferença isso faz?", perguntou Hillary Clinton.
O Congressista Jason Chaffetz, R-Utah, perguntou então "como o pessoal reagiu com a negação da ajuda" e a resposta de Hicks foi que "eles estavam furiosos". O ex-vice chefe do Departamento de Estado contou também que, caso os aviões da base aérea de Aviano (Itália) fossem enviados demorariam cerca de duas ou três horas para chegar. O problema é que não havia aviões-tanque disponíveis para abastecimento. Na sequência, Chaffetz rebateu: "é impressionante como ninguém na administração Obama resolveu pedir à Líbia permissão para utilizar seu espaço aéreo para salvar a vida de nosso embaixador".

Sobre o vídeo, todos os três depoentes -Hicks, Eric Nordstrom e Mark Thompson- concordaram que não possuía nenhuma relação com os ataques. Nas palavras de Hicks, "o vídeo não foi o instigador do que estava acontecendo na Líbia, nós não vimos manifestações relacionadas a ele em qualquer lugar da Líbia". Quanto às declarações de Susan Rice culpando o filme em cinco talk shows diferentes, Hicks disse o seguinte: "eu estava atordoado, meu queixo caiu. Eu estava com vergonha".

Depois destas impactantes palavras, ficou extremamente clara a negligência por parte da administração Obama na resolução do caso. Mas isso não é tudo. A pergunta que faço é por que, sabendo dos ataques intensos e do risco de morte para os americanos, ninguém autorizou o envio de apoio a Benghazi? Esta é uma dúvida que, provavelmente, ainda ficará no pensamento de muitas pessoas.

domingo, 10 de março de 2013

A apatia custará caro

Mais quanto tempo?

A Guerra Civil na Síria está caminhando para seu segundo aniversário e já deixou um saldo de mais de 70 mil mortes e cerca de um milhão de refugiados. Apesar dos últimos sinais de negociação, Bashar Al-Assad segue com seu massacre e só agora a oposição parece estar caminhando para a unidade, o que na prática não quer dizer muita coisa. Mas afinal de contas, qual o papel dos Estados Unidos no conflito?

Analisando friamente, nenhum. Mas as coisas não são assim. Na sua qualidade de grande potência os Estados Unidos não tem apenas o direito, mas o dever moral de intervir em favor do povo sírio. Logicamente muitos leitores acham que estou exagerando. No entanto, este é exatamente o pensamento dos rebeldes e dos civis que estão sendo mortos por Assad. Outros vão ainda mais além, culpando os Americanos pela permanência do ditador no poder. Nas palavras de Rachel Kleinfeld, "muitos na região acreditam que, ao não fazer nada, o país mais forte do mundo escolheu cinicamente o resultado final: Assad no poder e civis em sacos para cadáveres"¹.

Antes de abordar o resultado desta política de não-intervenção direta Americana, faz-se necessário compreender por quê o senhor Barack Obama quer tanto fugir do conflito. O primeiro motivo é o compreensível medo de se envolver novamente em uma guerra sem ter previsão de saída. Este argumento é sólido e contundente no que tange a entrada de tropas americanas em solo sírio. Mas e a questão das armas? Acredito que este seja o ponto mais delicado. Partindo do pressuposto de que cada revolução dentro da complexa Primavera Árabe tem suas peculiaridades, comparemos o caso sírio com o líbio: no país norte-africano os americanos ministraram armas aos rebeldes desde o início do conflito, haja vista que a queda de Muamar Kadafi era muito clara. No final das contas, estas armas caíram nas mãos de jihadistas, muitos dos quais invadiram o norte do Mali e chegaram até mesmo a implantar a sharía. Vale lembrar também que o embaixador Christopher Stevens foi morto após um ataque terrorista em Benghazi.

E aí vem o questionamento acerca da segunda razão pela qual governo do senhor Obama não forneceu armas aos rebeldes sírios desde a fase inicial do conflito. Isso aconteceu basicamente porque, dentre as revoltas, a da Síria era a mais desacreditada. O processo de oposição ao governo Assad foi inicialmente gradativo. Os primeiros a protestar eram uma minoria. A revolta foi se intensificando conforme Assad coibia violentamente os protestos mas, ainda assim, tendo a maioria a seu lado. O momento-chave da divisão e da perda de controle por parte de seu clã foi quando os sunitas, majoritariamente, pegaram em armas e aí foi decretada oficialmente uma Guerra Civil. Neste meio tempo as mortes já passavam de 20 mil. Uma violenta guerra visando o controle do país era mais do que clara. Só a CIA não conseguia (ou não queria) enxergar.

Quando o genral Martin Dempsey juntamente com Leon Panetta, Hillary Clinton e o então chefe da CIA, David Petraeus, criaram um plano cujo objetivo era armar os rebeldes, o senhor Obama vetou. Agora o número de mortos, como mencionado na introdução, ultrapassa os 70 mil e as únicas esperanças recaem sobre os guerreiros jihadistas, que estão melhor armados e preparados. Em meu último podcast comentei sobre estes terroristas, com foco maior para o Jabaht Al-Nursa, que é o mais forte deles. Mas se a Síria, antes da revolução, era um verdadeiro exemplo de convivência de diferentes povos porque esta aproximação com os ideias dos extremistas islâmicos? Ainda que o leitor não acompanhe o conflito, os argumentos tecidos anteriormente já respondem com clareza tal pergunta.

Aproveitando-se justamente deste abandono internacional terroristas de outros países ofereceram apoio e armas, em troca "apenas" de propagarem suas ideias radicais do Alcorão. Como se não bastasse isso, alguns dos países "amigos" dos rebeldes financiam descaradamente o terrorismo. O melhor exemplo é a Arábia Saudita. Apoiar os jihadistas na Síria dá a Ryadh a oportunidade de enviar seus próprios radicais ao país, onde podem lutar e possivelmente morrer. Com um grande número de jovens desempregados, subempregados e marginalizados, a jihad na Síria oferece uma "válvula de escape" como no Iraque, na Chechênia, na Bósnia e no Afeganistão. Os relatórios indicam também que os jovens estão viajando de graça e recebendo um salário por seus serviços². Nem é preciso comentar os prejuízos que este momentâneo alívio causarão a Ryadh a médio/longo prazo. E este também não é o tema da análise.

Passemos finalmente aos comentários sobre o custo da não-intervenção Americana. De uma forma simplista e concisa ela só aumentará o ódio para com os Estados Unidos. Há pessoas por aí, me refiro aos anti-americanos de plantão, que fomentam este ódio devido aos EUA se meterem naquilo que não os interessa como por exemplo, ainda na visão deles, conflitos externos. Pelo visto o senhor Barack Obama pensa a mesma coisa. Para o professor Rami Khouri, "isso soa como uma política razoável mas, na verdade, é um fracasso total. Na verdade, traz o resultado que Washington diz querer evitar -a ascensão, ou mesmo o domínio, destes grupos islâmicos que odeiam os EUA. O governo americano fala corajosamente em derrubar Assad mas pouco faz para consegui-lo. Enquanto isso militantes islâmicos têm armas e vão acumulando vitórias passando, portanto, a ganhar a confiança das pessoas comuns de todo o país".

Ainda que o cenário pareça cada vez mais nebuloso daqui para frente, a posição irredutível de Washington permanece. Na semana passada o novo Secretário de Estado, John Kerry, anunciou a doação de US$ 60 milhões para ajuda humanitária, o que não suprirá todas as carências -físicas e militares- do povo sírio.

¹ The case for arming sirian rebels. Rachel Kleinfeld. Carnegie Endowment. http://carnegieendowment.org/2013/02/24/russia-s-foreign-and-security-policy-update/fktt

² The consequences of intervening in Syria. Scott Stewart. Stratfor. http://www.stratfor.com/weekly/consequences-intervening-syria?utm_source=freelist-f&utm_medium=email&utm_campaign=20130131&utm_term=sweekly&utm_content=readmore&elq=6e39f05dfde94ca489ed89b52f6e10a6

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Indiferença para Israel, maior moral para o Hamas e enfraquecimento do Fatah

Médicos palestinos comemoram o cessar-fogo.

Nesta quarta-feira (21) finalmente foi acordado um cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hamas. O acordo foi mediado pelo Egito e pelos Estados Unidos (Hillary Clinton viajou para o Oriente Médio nesta semana). O saldo foi de 167 mortos no total (sendo 162 palestinos), mesmice para o poder de dissuasão israelense e um fortalecimento do Hamas.

Assim como a operação Chumbo Fundido, comandada por Ehud Olmert, Pilar de Defesa não tinha como objetivo destruir o Hamas e ocupar a Faixa de Gaza, mas sim aumentar seu poder de dissuasão na região e reduzir consideravelmente, pelo menos por enquanto, o poder de fogo do grupo terrorista. Analisando os números, isso deu certo: foram mais de 1.500 ataques aéreos (sendo 19 em centros de comando superiores), 30 membros importantes dos grupos terroristas (considerando Hamas e Jihad Islâmica) mortos e centenas de lançadores de foguetes subterrâneos destruídos. Além disso, o sistema de defesa Iron Dome se mostrou extremamente eficaz, realizando 421 interceptações, o que corresponde a 84% do total de mísseis que penetraram Israel.

Mas se os números dizem uma coisa, por que algo tão distinto ocorre na prática? Como já foi mencionado aqui no IA, o Hamas ganhou um pouco mais de apoio após a Primavera Árabe e, querendo ou não, se fortaleceu consideravelmente nos últimos anos. O primeiro indício desta evolução foi justamente o alvo inicial da operação Pilar de Defesa, Ahmed Jabari. Ele não era um líder político, mas sim militar. Isso significa que Israel tinha plena consciência do perigo oferecido pelo grupo terrorista a seu território.

Ademais, muitos analistas acharam um tanto exagerada a importância que o governo de Jerusalém deu ao Hamas logo no início do conflito, falando diretamente ao grupo após ataques perpetrados por facções que podem ser consideradas como suas subordinadas dentro de Gaza. Mas a verdade é que Netanyahu foi correto em todas as suas atitudes, sobretudo esta, haja vista que a esfera de influências do Hamas realmente é bem maior do que a de quatro anos atrás.

Quando os boatos de cessar-fogo tiveram início, poucos poderiam imaginar que Israel aceitaria negociar com terroristas. Mas ao fim de tudo exigências foram atendidas. Destaque para a abertura das fronteiras para a circulação de bens e pessoas. Recordam-se que no último post comentei sobre uma possível abertura do terminal de Rafah? Pois então, o "palpite" de Ehud Yaari realmente estava certo e o Egito fez esta concessão aos palestinos. Ainda não se sabe até que ponto chegará esta abertura, mas já é um grande feito.

Quem não concordou muito com o cessar-fogo e suas condições foi a população israelense (além da oposição de Netanyahu, lógico). Segundo o Times of Israel 70% dos israelenses foram contra o acordo e apenas 24% se mostraram favoráveis. Ainda assim nada que, pelo menos por ora, abale as aspirações de reeleição do atual governo.

Ainda há opiniões um tanto controversas acerca do quão prejudicial foi o conflito para Israel. A unanimidade só gira em torno do significativo enfraquecimento da Autoridade Palestina frente ao Hamas. Para os palestinos, a forma como o Hamas resistiu (se é que o fato de se esconder covardemente atrás de civis pode se chamar resistência), foi quase heroica. A facção da bandeira verde ganhou total apoio da Cisjordânia, que se mostrou demasiadamente cansada com as promessas de Mahmoud Abbas e, principalmente, com a ocupação transfronteiriça ilegal de Israel. Ramallah ficou quase deserta nos últimos dias.

É importante que uma coisa fique bem clara: uma "derrota" do Fatah também pode ser prejudicial a Israel porque, a priori, o grupo é mais moderado e tem defendido um acordo de paz respeitando a fronteira de 1967. Como bem disse Richard Haass, presidente do Conselho de Relações Exteriores dos EUA, Israel deveria buscar na AP um aliado para intensificar o projeto de paz e colocá-lo, por fim, em prática.

Haass, que foi enviado pelos EUA para o processo de paz na Irlanda do Norte, disse que Israel deveria buscar no Fatah "a sua Irlanda do Norte". E tal observação é muito precisa. O problema é que agora, decadente como está, a AP não mais parece uma solução tão viável -e confiável- para o povo palestino. Devemos ter medo se o Hamas passar efetivamente a ser considerado esta "solução".

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

GOP já fala em reforma

The Elephant.

Há três dias Barack Obama foi reeleito presidente dos Estados Unidos e, por incrível que pareça, o assunto que está em voga é o Partido Republicano. A derrota de Romney foi um verdadeiro balde de águia fria nos planos do GOP, servindo para que muitos dirigentes acordassem e finalmente começassem a exigir reformas.

Apesar da pequena diferença (pouco mais de 2,5 milhões), ficou claro que Obama teve o voto popular e Romney não fugiu de sua tradicional base de apoio. Aliás, até perdeu parte dela em virtude de suas mudanças de postura e do próprio Partido Republicano. A perda mais sentida foi a do eleitorado latino, que apoiou em peso o candidato Democrata.

A rigor, Romney conquistou apenas 29% dos votos latinos. E para isso há inúmeras explicações. Uma delas é sobre a rigorosa opinião a respeito da deportação imediata de imigrantes ilegais que ele mencionou nas primárias. Estes eleitores podiam até estar irritados com as deportações de Obama (lembrando a lei do Arizona), mas neste caso acharam "menos pior" apoiarem o Democrata outra vez.

Para muitos especialistas conservadores a escolha de Paul Ryan não foi um total equívoco, mas havia nomes melhores. Dentre estes "nomes melhores" os mais fortes era Susana Martínez, governadora do New Mexico; e Marco Rubio, senador da Florida. Dizem por lá que a imprensa -principalmente William Kristol- influenciou na escolha de Ryan.

Mas não foram apenas os latinos que não se empolgaram com Romney. As mulheres, os asiáticos, os afro-americanos e os jovens também estiveram do lado de Obama. Seguramente muitos estarão pensando que isso é algo obvio. E realmente é. Os Democratas sempre contaram com os votos das minoras. O anormal é que, nas duas últimas eleições, o apoio republicano entre eles tem sido muito menor. Nas palavras de Caio Blinder, "numa aritmética grosseira, para vencer, os Democratas precisam de 80% do voto das minorias e 40% dos brancos". Um número assustador.

E isso nos leva a questão de por que o GOP tem perdido tantos eleitores nos últimos anos, inclusive em bastiões fieis, como o Colorado onde Obama já ganhou duas vezes. O que vejo com bastante clareza a este respeito é a forte influência do Tea Party, movimento radical que ganhou força logo após a vitória de Obama sobre John McCain.

Os ultraconservadores, basicamente, tentaram resgatar alguns valores, criticar os excessivos gastos do governo e até mesmo apelar para um certo populismo. Mas o grande problema é o radicalismo de sua metodologia. Como mencionado no artigo anterior, a pressão exercida pelo Tea Party foi fundamental para que Romney pendesse para a direita e até mesmo pela força de Ricky Santorum.

Em um impactante artigo na FOX, intitulado "O que Reagan faria após a vitória de Obama?", o colunista Martin Sieff criticou com extremo rigor a campanha eleitoral republicana e até mesmo o Tea Party, chamando de hipócritas aqueles que com as palavras idolatraram Ronald Reagan mas com as ações fizeram o oposto.

Para Sieff, "Ronald Reagan era um conservador social e um dos maiores porta-vozes dos autênticos valores morais da história da política americana. Mas ele nunca foi fanático ou tolo. Ele nunca se indignou com mulheres ou qualquer outro grupo, expressando ridículos, ofensivos ou simples sentimentos absurdos. Uma tolerância má julgada por estes palhaços custaram nada menos do que as eleições para o Partido Republicano".

O consolo é que este insucesso está fazendo o movimento conservador pensar um pouco mais e a tendência é que o Tea Party por fim perca força. Ainda neste artigo Sieff mencionou que Reagan sempre se mostrou próximo dos jovens concedendo, inclusive, oportunidades a muitos deles em seu governo, estando sempre aberto a sugestões. O mesmo aconteceu com George W. Bush, mas não com McCain e Mitt Romney.

O que nos faz pensar que as coisas mudarão para as próximas eleições -não apenas presidenciais- é a quantidade de bons -e sobretudo jovens- valores no Partido Republicano. Mais até do que no Democrata. Além do já citado Marco Rubio, Jeb Bush, Ted Cruz (esse sim do Tea Party), Rand Paul e o candidato a vice Paul Ryan se mostram como nomes potentes e inovadores. No Partido Democrata, ao menos para as eleições presidenciais, o nome de Hillary Clinton é o mais cotado.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Quem na verdade é Mitt Romney?

Certas imagens nem precisam de legenda...

Após a derrota para o presidente Barack Obama o candidato republicano Mitt Romney se dirigiu a seus eleitores agradecendo pelo apoio e pedindo confiança no comandante-em-chefe para que ele possa fazer um bom trabalho. Mas nem sempre esta serena imagem de Romney foi transmitida aos eleitores durante a campanha.

A controvérsia do ex-governador de Massachusetts começou nas primárias quando, ao contrário do esperado, ele se mostrou um tanto radical em seus pontos de vista. As principais colocações um tanto quanto estranhas dele se concentraram na política externa (principalmente com as gafes) e na imigração. Quanto ao aborto e o casamento homossexual houve realmente uma mudança de opinião. Mas isso aconteceu há muito tempo e não deve ser levado em consideração no que diz respeito à atual campanha.

Mesmo se aproximando da ala mais conservadora do Partido Republicano - Tea Party- Romney não agradou muito e sofreu demais nas primárias. Por vezes esteve atrás do católico ultraconservador Ricky Santorum (que prometia declarar guerra ao Irã assim que eleito). Por sorte, ao menos a frieza do empresário  permaneceu e, aos poucos, ele foi conseguindo contornar a situação.

No entanto, as primárias lhe deram dois maus resultados: grandes gastos (muito além do esperado) e uma imagem distorcida que foi construída (deturpada?) por ele mesmo. Para muitas pessoas é difícil de entender por que ele fez isso. Realmente não foi a melhor atitude a ser tomada mas, naquele momento, se converteu na salvação de Romney. Todos devem ter em mente que, caso ele se mostrasse o moderado que é (e sempre foi, até as primárias), a vitória de Santorum seria evidente e nem mesmo uma parcela do eleitorado americano votaria nele. Resultado: Obama ganharia de lavada. Aliás, o presidente concorreria sozinho à reeleição.

Notem que até o momento o movimento Tea Party foi mencionado apenas uma vez. Não é mero acaso. Foi de propósito mesmo. O que acontece é que não quero entrar em detalhes sobre esta ala ultraconservadora do Partido Republicano porque pretendo falar dela em outro post, onde o foco será o partido. Por enquanto saibam de uma coisa: o Tea Party foi decisivo para esta guinada para a direita de Mitt Romney.

O empresário estava entre a cruz e a espada. Se ele mantivesse sua postura moderada ia lutar contra a ira do Tea Party. Graças a esta ameaça, preferiu encarnar um político que não é e perdeu a confiança de muitos republicanos, mas principalmente de indecisos que não estavam tão contentes assim com Obama e que seguramente votariam em Romney caso ele se mostrasse uma boa alternativa.

A escolha do vice foi mais uma forma de se aproximar dos mais conservadores e oferecer uma verdadeira reforma econômica aos EUA. O jovem congressista Paul Ryan, de Wisconsin, é conhecido por ousar em suas ideias econômicas e ficou à frente do senador hispano Marco Rubio (ainda que a primeira opção de Romney para vice seria o governador de New Jersey, Chris Christie).

Após passar pelo primeiro obstáculo, o das primárias, Romney logo teve a árdua tarefa de deixar para trás o segundo: a imagem de empresário antipático que não tem a mínima noção das necessidades do povo. Tudo seria mais fácil (menos difícil?) se ele tivesse uma vida privada mais exposta como a de tantos outros candidatos. O problema é que todos -inclusive a imprensa- só conheciam o Romney profissional ou, quando muito, o Romney mórmon. Pouco sabiam do avô, do pai ou do marido. Ademais, carisma como o de Obama é algo que ele não tem.

O cenário só piorou quando um modesto jornal de esquerda divulgou um vídeo onde o ex-governador falava com benfeitores de sua campanha em Boca Ratón, na Florida. Neste fatídico vídeo Romney fez a famosa declaração dos 47% e deixou os democratas nas nuvens. Para muitos as eleições acabaram no dia em que este vídeo foi ao ar. Mas, para surpresa geral, vieram os debates e Romney mostrou aquela que é a sua verdadeira face.

No primeiro dos três ele ganhou "de lavada" de um apático e estranho presidente Obama (que deve ter sido afetado pela "síndrome do primeiro debate) e subiu rapidamente nas pesquisas. A força em suas palavras, a vontade, as alternativas econômicas e as críticas ao governo o fizeram, pela primeira vez, passar confiança ao povo americano.

No segundo debate a política interna ainda foi o foco principal e Romney também foi bem. Ele enfrentou um Obama já "acordado" e disposto a mostrar que estava no páreo para vencer, mas nem por isso se intimidou. Aliás, o que aconteceu foi que os dois intimidaram os pobres eleitores indecisos. Em dado momento parecia que iam perder o controle. De uma forma ou de outra, deu empate.

A terceira e última altercação (que por sinal foi muito chata) teve como tema política externa. Na ocasião notamos maior cautela de Romney, que se limitou a concordar com Obama em muitas questões e, sempre que pôde, deu um jeito de trazer o diálogo para a sua área, a economia. Mais um empate (este, por sinal, um 0x0 bem monótono).

No final das contas Obama voltou a subir nas pesquisas e os dois candidatos ficaram oscilando entre empates e pequenas vantagens para um e para outro. As campanhas nos estados indecisos se intensificaram. Mas aí veio Sandy. A tragédia que vitimou 87 pessoas serviu para dar uma pausa na corrida eleitoral. Seria desumano continuar e Obama precisava tomar à frente da situação.

Querendo ou não, a imagem humanitária do comandante-em-chefe o ajudou demais na campanha. Ele arregaçou as mangas e foi trabalhar como realmente deveria, mas o que tocou o coração dos americanos foi ver suas expressões de choque e visível abalo com a tragédia. Talvez Romney jamais conseguiria se mostrar assim. Não por insensibilidade, mas por personalidade. Outro ponto para o carisma de Obama.

Quando o grande dia chegou ainda havia esperanças entre os republicanos, mas elas foram extirpadas quando Obama venceu na Florida. Principalmente porque, segundo as pesquisas, o estado estava mais para Romney e ainda assim o caminho até a Casa Branca seria um tanto complicado. Dignamente Mitt Romney aceitou a derrota e cumprimentou o adversário.

Mas o mais revoltante foi ver a reação de parte da imprensa conservadora e de gente do Partido Republicano. O Tea Party criticou-o por ser muito moderado (!) e a ala mais liberal republicana o taxou de incompetente. E pensar que ao menos parte desta situação seria diferente se ele, como outros Republicanos, tivesse bajulado Rupert Murdoch. Não o fez e precisou caminhar com as próprias pernas até o fim para ser considerado o grande culpado pela derrota.




quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Four more years

Obama ligou pessoalmente para eleitores.

Nesta terça-feira (6) aconteceram as eleições presidenciais nos Estados Unidos e, por uma vantagem de 97 delegados, o presidente democrata Barack Obama foi reeleito para mais quatro anos de mandato. Nos estados indecisos, apesar da massiva campanha de Romney, o comandante-em-chefe levou a melhor.

Como esperado, a diferença entre Obama e Mitt Romney foi muito menor do que a do democrata sobre John McCain em 2008 (10 milhões na ocasião e pouco mais de 2,5 agora), mas ainda assim foi uma vitória contundente. O estado da Florida foi o primeiro termômetro para os resultados, haja vista que a apuração lá começou primeiro. Houve inúmeras reviravoltas mas, por uma diferença de 1 pp, deu Obama. A partir daí a coisa já ficou complicada para Romney. A maioria das pesquisas colocaram-no como favorito no estado e esta poderia ser sua grande arrancada. Em resumo, se ele vencesse na Florida nada o impediria de conquistar outros estados indecisos.

Mas aí vieram Virginia e Colorado. Outra vez o presidente levou vantagem. No primeiro Romney até começou bem, mas logo que aconteceu a apuração na região metropolitana de Washington DC, bastião democrata, a cor azul predominou. Obama bateu McCain no Colorado em 2008 e fez o mesmo com Romney em 2012. A diferença foi de 4% (51 a 47) em um estado que já foi "território" dos republicanos por muito tempo.

Em Ohio Romney apelou para seu eleitorado: homens brancos mais velhos, evangélicos e muitos jovens. Os primeiros e os últimos até acudiram às urnas, mas o número de evangélicos não foi dos melhores. O candidato republicano queria ao menos "resgatar" aqueles que votaram em Bush. Não deu certo e Obama venceu por 50% a 48%.

Não restam dúvidas de que a economia foi o "carro chefe" da corrida presidencial americana (como diziam os republicanos, "economia, estúpido!") e justamente ela culminou na reeleição de Obama. Inicialmente parece contraditório, não? Mas acalmem-se. A verdade é que 60% do eleitorado colocou a economia como "motivo número 1" nestas eleições e grande parcela deles culpou George W. Bush pelas dificuldades que Obama encontrou em 2008. Resumindo, o democrata trabalhou como pôde quando pegou a "batata-quente" nas mãos. Ademais, o eleitorado não considera o déficit como principal problema do governo Obama, portanto, ele se deu bem (a responsabilidade pelo déficit americano deve-se em grande parte às políticas do comandante-em-chefe).

Ainda dentro do fator economia, um dos grandes contribuintes para a reeleição de Obama foi Romney. Seu histórico como grande empresário o deixou com uma imagem ruim frente à população ao invés de revelá-lo um administrador capacitado para liderar o país. A imagem de milionário alheio aos verdadeiros problemas do país afastaram-no até mesmo da classe média, sobretudo nas primárias republicanas. Ele conseguiu se recuperar ao longo da campanha, mas não o suficiente para mostrar que poderia equilibrar o orçamento dos EUA melhor do que Obama. Aliás, os cortes de gastos prometidos para o Medicare e o Obamacare só afugentaram eleitores.

No quesito demografia nem Obama esperava tamanho apoio. Tudo indicava, em 2012, uma participação maior do eleitorado republicano. Inclusivea cúpula do partido estava contando com isso. Porém, o contrário aconteceu. Além de perder o eleitorado feminino que em determinada ocasião esteve a seu favor, os jovens, negros, latinos e asiáticos tiveram participação recorde e votaram em favor de Obama. 

Em números, as mulheres compõem 54% do eleitorado americano e deram a vitória ao presidente por uma diferença de 12 pontos (entre os homens Romney ganhou por 7). Se em 2008 os negros, latinos e asiáticos representaram 24% dos eleitores, em 2012 esse número cresceu para 26%, índice que claramente favoreceu Barack Obama.

Resumindo esta primeira reflexão sobre as eleições nos Estados Unidos, a população claramente percebeu que o país não anda bem das pernas, mas faltou carisma e firmeza a Mitt Romney para convencer a todos de que a culpa maior era de Obama e que ele (Romney) poderia resolver o problema.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Biden tropeçou nas próprias pernas, mas tudo ficou na mesma

Esta ainda foi uma risada mais contida. POLITICO.

Depois da grande vitória de Mitt Romney no primeiro debate presidencial, a importância da altercação entre Joe Biden e Paul Ryan foi ainda maior. A missão de Biden era acalmar as coisas, visto que o presidente Barack Obama foi assustadoramente apático frente ao candidato republicano e pela primeira vez se colocou atrás nas pesquisas (em praticamente todas).

Política externa, economia e segurança estiveram em voga, mas o que chamou de verdade a atenção no debate foram as reações de Biden. O vice-presidente democrata -que é 27 anos mais velho que Ryan- sorriu ironicamente o tempo todo e fez sinal de negação com a cabeça. Isso quando não interrompeu Ryan durante suas perguntas (segundo a FOX foram 82 interrupções).

Sua postura extremamente ofensiva já era esperada e uma retórica mais afiada que a de Ryan também não seria surpresa. O problema é que suas reações o prejudicaram muito. Alguns jornalistas conservadores o compararam a Al Gore, que em 2000 -no debate contra George W. Bush-, suspirou com raiva e mostrou uma expressão facial um tanto agressiva. Dadas as devidas comparações, ambas atitudes foram extremamente desrespeitosas.

Para Charles Krauthammer, "o debate aconteceu em vários níveis. Se você apenas ler, achará que deu empate. Se ouvir, Biden ganhou. E se ver pela tv, ele perdeu. O vice-presidente adotou uma postura agressiva e forte, mas seu comportamento na tv foi problemático".

Nada descreve melhor o debate de quinta-feira (11) como esta declaração de Krauthammer. A agressividade de Biden cumpriu seu objetivo: aliviar as coisas até o próximo debate presidencial. Obama ainda era o centro das atenções e sua queda nas pesquisas precisava parar. Aí é que entra Joe Biden. Para sua sorte, as gafes que ele geralmente comete não acontecem nos debates.

Ao contrário de Obama, ele fez questão de enfatizar a declaração de Romney sobre os "47%" que vazou para a imprensa há alguns meses, mesmo que a fraca moderadora Martha Raddatz não tenha perguntado sobre o assunto. Ryan se limitou a responder que Romney está preocupado com todos os americanos e que "às vezes podemos nos expressar mal em certas declarações".

O vice de Mitt Romney sabia exatamente o que estava por vir e não ousou responder na mesma moeda. Ele permaneceu bastante calmo durante os ataques, suportou  as interrupções de Biden e apenas deu respostas moderadas. Em questões onde podia se complicar, como aborto e política externa, sua moderação o salvou.

No início ele até criticou o governo Obama pelo atentado que vitimou o diplomata Chris Stevens em Bengazhi dizendo que este era apenas um dos muitos reflexos da fraca política externa do atual presidente. Mas, devido a sua pouca experiência no assunto (menor ainda que a de Romney), ele não "abriu ainda mais o leque" e deixou Biden rir à vontade.

No final das contas, o debate terminou empatado. Mas isso não quer dizer muita coisa, já que Joe Biden fez muito bem o seu papel e as pesquisas devem se manter estáticas até terça-feira. Nas palavras de William Kristol: "O debate vice-presidencial foi ocasionalmente divertido para os partidários de ambos os lados. Mas em última análise, eu suspeito, ele não irá provar nada. É difícil acreditar que ele irá mudar os votos ou dar algum impulso".

sábado, 22 de setembro de 2012

Como estragar uma campanha presidencial

Pelo visto não é só carisma que falta a ele.

Como já foi dito aqui, a campanha de Mitt Romney não era das melhores desde seu início. Esperava-se uma mudança com o anúncio de Pul Ryan como vice, mas nada aconteceu. Depois foi a vez da convenção republicana ser o centro das atenções, mas nada mudou. A única coisa que chamou a atenção nesta convenção foi Clint Eastwood falando com a cadeira. À parte disso, seguiram as gafes do candidato republicano.

Não é segredo para ninguém que Romney nunca pertenceu à ala mais conservadora do Partido Republicano. Ele sempre foi moderado. Prova disso é que Paul Ryan é do Tea Party. O problema é que, para conseguir votos, Romney tem mudado constantemente de postura e tal defeito fica cada vez mais evidente na sua campanha.

Como se não bastasse tudo isso, o ex-governador de Massachusets não consegue passar muito tempo sem cometer uma grande gafe. Primeiro foi a crítica a Londres, depois ao povo palestino e, nas últimas semanas, vieram as piores. Logo após o atentado que vitimou o embaixador americano na Líbia, Chris Stevens, o candidato republicano fez fortes críticas à política externa do governo Obama.

Ele não poderia ter escolhido momento mais delicado e impróprio para fazê-lo. Além de serem críticas infundamentadas, pouquíssimas pessoas do Partido Republicano ficaram a seu lado. Esta atitude pareceu mais a de um candidato desesperado querendo votos. Ele quis se aproveitar da situação para fragilizar ainda mais Obama, mas o tiro saiu pela culatra.

Contudo, a pior das gafes veio alguns dias depois quando um modesto jornal de esquerda divulgou um vídeo em que Romney falava com milionários que iriam financiar a sua campanha. O vídeo foi gravado no mês de maio em Boca Raton, na Flórida. A declaração que gerou tanta polêmica foi a seguinte:

"Há 47% de pessoas que votarão em Obama, não importa o que aconteça. Há 47% que estão com ele, que são dependentes do governo, que acreditam ser as vítimas, que acreditam que o governo tem a responsabilidade de cuidar deles, que acreditam que eles têm direito a cuidados de saúde, à alimentação, à moradia e que isso é um direito que o governo deveria fornecer a eles. Eles vão votar no presidente de qualquer jeito...estas são as pessoas que não pagam imposto de renda...meu trabalho não é me preocupar com elas. Nunca vou convencê-las de que devem assumir a responsabilidade pessoal e cuidar de suas vidas".

Se isso parece um absurdo só pela primeira leitura, ficarão ainda mais abismados se pararem para pensar em duas coisas. A primeira é que, como disse David Brooks, Romney parece não conhecer o país onde ele vive. O candidato deveria saber que tais benefícios sociais ganharam muita força durante os governos republicanos. O grande (!) Ronald Reagan é um bom exemplo disso.

A segunda coisa é a seguinte: Romney se referiu de forma amplamente equivocada sobre os impostos. Realmente as pessoas mencionadas por ele não pagam imposto de renda, mas isso acontece porque eles não têm renda suficiente para arcar com tal despesa. Além do mais, o senhor Romney desprezou completamente o fato de estas pessoas pagarem impostos sobre seus salários.

Para finalizar, faz-se necessário citar novamente David Brooks: "O comentário de Romney é uma fantasia de country club. É o que os milionários dizem uns aos outros. Isso reforça cada vez mais a visão negativa que as pessoas têm sobre ele".